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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Sistema de pagamento cria solução para dividir compras em vários cartões

Comércio eletrônico

O administrador de empresas Lucas de Faria lançou a startup rache aqui!.

A ideia pioneira viabiliza dividir o valor das compras em até 15 cartões de crédito. Além de facilitar as compras de produtos caros, compras em grupo, a ferramenta ajuda na organização financeira de quem tem mais de um cartão de crédito. Já para as empresas de e-commerce, a solução tem potencial para aumentar o volume de vendas e do valor médio da compra por operação.

O rache aqui! é um sistema de pagamento online parecida com PayPal e PagSeguro. “É o site que integra nossa ferramenta. Nós auxiliamos nesse processo e cobramos uma taxa por transação – esse é o nosso único modelo de cobrança”, afirma Faria.

Em uso desde julho em sites de e-commerce, o rache aqui! pode ser útil em diversas situações, como na compra de um presente de casamento. Com a ferramenta, é possível dividir o valor total entre os cartões de cada um do grupo. A divisão dos valores não precisa ser igual e quem quiser ainda pode optar por parcelar a sua parte da compra, independente da escolha do resto do grupo. A solução também é útil para quem recebe o salário em dois dias diferentes do mês e quer aproveitar melhor os vencimentos das faturas dos cartões de crédito.

Segundo Faria, a ferramenta foi feita para as mais diversas classes sociais. Mas o rache aqui! mira, principalmente, a Classe C, que tem consumido cada vez mais pela internet. “Segundo uma pesquisa feita pelo e-bit, 58,6% dos novos consumidores do e-commerce têm renda que os enquadra na classe C. Uma ferramenta capaz de minimizar o impacto do preço é um atributo muito importante de decisão na hora de compra”, diz.

Fonte: Revista Exame

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

O Brasil deve se tornar a quinta maior economia do mundo até 2023

Segundo projeções do Centro de Pesquisa Econômica e de Negócios (CEBR, na sigla em inglês), a economia brasileira superará a da Grã-Bretanha e da Alemanha.

Atualmente, o Brasil ocupa o sétimo lugar no levantamento do CEBR, que lista os 30 maiores países do mundo pelo tamanho de seu PIB nominal.

Segundo a pesquisa, a economia brasileira vai se beneficiar do crescimento da população e do comércio de agricultura, este último impulsionado pelo acordo da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) e pelos alimentos transgênicos.

O estudo destaca que, em 2011, o Brasil já havia superado a Grã-Bretanha, tornando-se a sexta maior economia do mundo, mas perdeu o posto no ano seguinte devido à desvalorização cambial, ao menor crescimento econômico e à elevação das tensões políticas.

Pela primeira vez, a CEBR fez previsões para o comportamento das maiores economias do globo para um período de cinco, dez e quinze anos.


A estimativa é de que em 2028, a China se tornará a maior economia do mundo, à frente dos Estados Unidos. No mesmo ano, a Índia superará o Japão e se tornará o terceiro país mais rico do globo.

Confira a tabela com mais detalhes:
2013201820232028
1EUAEUAEUAChina
2
China
ChinaChinaEUA
3
Japão
JapãoJapão
Índia
4AlemanhaAlemanhaÍndiaJapão
5França
Grã-Bretanha
BrasilBrasil
6
Grã-BretanhaRússiaAlemanhaAlemanha
7BrasilBrasil
Grã-Bretanha
Grã-Bretanha
8RússiaFrançaRússiaRússia
9ItáliaÍndiaCanadáMéxico
10CanadáItáliaFrança
Canadá


Fonte: BBC Brasil

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Ministro das Comunicações veta compra da Tim pela Vivo para garantir concorrência

O governo alertou à Telefónica — dona da Vivo, líder do mercado brasileiro de telefonia celular — que, caso prospere a sua investida para adquirir o controle societário da Telecom Italia, dona da TIM, sua maior rival no país, o grupo espanhol terá que se desfazer de um dos negócios no Brasil. “Como a fusão das companhias não é possível por razões concorrenciais e nem é permitida, por lei, a sobreposição de frequências, se houver confirmação do negócio, a Telefónica terá seis meses para decidir entre devolver a outorga da TIM para nova licitação ou vendê-la a um terceiro, de fora desse mercado”, sentenciou uma fonte da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).



Segundo a autoridade, a TIM teria de ser oferecida apenas à brasileira GVT, que não opera com telefonia celular, ou a grupos estrangeiros interessados em ingressar nesse mercado no país, como a inglesa Vodafone ou a egípcia Orascom. A advertência à Telefónica já tinha sido feita no fim de 2012, muito antes da confirmação, ontem, da operação que elevou a participação no capital da espanhola no capital de sua concorrente endividada, que gerou grande expectativa no mercado de telefonia móvel e nas bolsas de valores da Europa e do Brasil.

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, antecipou a hipótese de a TIM Brasil continuar funcionando, sendo vendida em até um ano a uma empresa que não as atuais concorrentes Vivo, Oi, Claro e Nextel. Ele informou que o governo acompanha de perto os desdobramentos do acordo avaliado em US$ 600 milhões, que abriu caminho para a Telefónica se tornar acionista majoritária da Telco, holding que controla a Telecom Italia. “Do ponto de vista da lei brasileira, um grupo não pode ser controlador do outro e manter duas empresas aqui”, resumiu.

Fonte: Correio Braziliense


quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Conheça a moeda do Fora do Eixo e os desafios de 'alternativas' ao dinheiro

Utilizado como meio de pagamento pelos coletivos da rede Fora do Eixo nas transações financeiras entre o grupo e seus associados, o chamado "cubo card", um tipo de moeda "social" ou "complementar", revelou os desafios de um sistema monetário alternativo à moeda oficial.
Esses tipos de moedas são normalmente usadas por coletivos ou comunidades para impulsionar a economia de setores específicos.


Os cubo cards, rebatizados posteriormente de Fora do Eixo cards, foram criados em 2004 pelo grupo cultural mato-grossense Espaço Cubo, embrião do Fora do Eixo, que reúne mais de 200 coletivos espalhados pelo país e hoje tem sede em São Paulo.
A rede ganhou visibilidade após a revelação de que financia as atividades do grupo Mídia Ninja, acrônimo para "Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação", que vem transmitindo em tempo real, via internet, as manifestações no Brasil nos últimos meses.
O propósito era que a moeda substituísse as transações realizadas em real, promovendo a economia solidária entre os participantes do grupo ─ formado, em grande parte, por artistas da cena cultural independente.
O meio de pagamento também se destinava a suprir uma deficiência interna do coletivo. Alegando não ter dinheiro em caixa para remunerar seus parceiros em moeda corrente, a rede acenava com uma proposta: pagaria em cubo cards o valor equivalente em reais, na paridade de 1 para 1. Os cubo cards poderiam, então, ser trocados por produtos ou serviços do próprio coletivo ou de demais associados.
Para dar fôlego ao sistema, os coletivos que compunham o Fora do Eixo também tinham liberdade para emitir suas próprias moedas. Por exemplo, o braço do grupo em São Carlos, no interior paulista, criou uma moeda chamada marciano.
"Nessa hipótese, uma banda que viesse tocar aqui (na casa que funciona como sede do coletivo), não seria remunerada em reais, mas em cubo cards ou em marcianos, que poderiam ser convertidos em outros serviços, prestados por nós ou por nossos parceiros, a partir de uma tabela de equivalências", explica à BBC Brasil o músico Juliano Parreira, responsável pela área de planejamento do Fora do Eixo de São Carlos e que mora na casa coletiva.
"Imagine uma banda que ganhe 400 cubo cards por um show feito em nosso espaço. Ela poderia trocar esse montante pela gravação de um videoclipe, que seria realizado por nós ou por demais parceiros. No primeiro caso, o crédito que a banda tinha conosco seria zerado. No segundo, a "dívida" passaria de mãos, e o novo credor (o prestador do serviço de gravação, que receberia os 400 cubo cards) daria continuidade ao sistema de trocas", exemplifica.
Parreira acrescenta que a negociação em moeda alternativa ocorre normalmente apenas nos casos em que a remuneração em real não é possível. "Sempre que conseguimos dinheiro de patrocínio, tentamos pagar as bandas em moeda corrente."
Ele conta ainda que os credores do Fora do Eixo poderiam optar por ficar com o dinheiro alternativo em cédulas de papel, impressas pelo próprio coletivo, ou com um "crédito" no sistema de planilhas financeiras da rede. Nesse caso, a movimentação da dívida é acompanhada por ambas as partes por meio de um arquivo compartilhado na internet.
Por fim, quem já tem cubo cards pode tentar posteriormente trocar a moeda por reais, caso não se interesse pelo sistema de trocas por serviços.

Críticas

Mas os críticos do sistema dizem que não é assim que ele funciona na prática. Desde a entrevista de Pablo Capilé, fundador do Fora do Eixo, ao programa Roda Viva, da TV Cultura de São Paulo, multiplicaram-se na internet queixas de antigos parceiros do grupo, que afirmam não ter conseguido trocar a moeda alternativa por reais ou por serviços prestados pelo coletivo e seus associados.
A reportagem da BBC ouviu ex-associados do Fora do Eixo sobre o funcionamento dos cubo cards. Eles disseram que não foram vítimas de calote, mas afirmaram que tinham dificuldade de trocar a moeda complementar por reais ou por outros serviços oferecidos pelo grupo.
Questionado sobre as críticas, Parreira reconhece que a moeda não tem lastro (ou seja, para cada cubo card emitido, não há o equivalente em reais guardado), mas afirma que "tudo era feito às claras, com o consentimento de todos os envolvidos".
"A troca por reais não é nossa primeira opção, pois, do contrário, não haveria motivo para a criação de uma moeda complementar. Mas nunca deixamos de pagar ninguém", diz.

Escambo

Fernando Nogueira da Costa, professor de Economia da Unicamp, ressalta que o sistema adotado pelo Fora do Eixo não é novo.
"Trata-se de uma evolução dos clubes de troca ou feiras de troca solidária. Nesses mercados, os pequenos empreendedores locais disponibilizavam seus produtos para o comércio, utilizando para isso as moedas sociais", afirma.
"Dessa forma, gera-se um exclusivismo comercial que beneficia o desenvolvimento local e a inclusão social, pois os envolvidos só poderão gastar a moeda dentro de limites preestabelecidos."
A economista brasileira Heloisa Primavera defende a iniciativa do Fora do Eixo, que classifica como um "projeto de soberania política". Primavera esteve envolvida na criação de várias moedas sociais e tem ligações estreitas com o grupo fundado por Pablo Capilé.
"O objetivo desses jovens é redefinir o papel que o dinheiro possui em nossa sociedade. Eles conhecem a fundo os riscos dessa iniciativa. O cubo card é uma ferramenta para construir um sistema de vida que desafia o capitalismo e a economia de escassez que vivemos", diz Primavera.
Os especialistas concordam, no entanto, que a premissa básica desse tipo de sistema é a confiança entre os envolvidos.
"Sem ela, a moeda não dá certo. Em primeiro lugar, é preciso que ambas as partes estejam de acordo com a forma em que a transação acontecerá, ou seja, sem reais. Além disso, a tabela de equivalências, isto é, como os créditos poderão ser trocados, precisar estar visível e acessível a todos", afirma Nogueira da Costa.

Bancos comunitários




No Brasil, o Banco Central (BC) não se responsabiliza pela emissão de moedas sociais.
Porém, o BC dá especial atenção àquelas emitidas por bancos comunitários espalhados pelo Brasil. Hoje, há 103 deles, cada qual com a sua respectiva moeda. Juntas, elas movimentam R$ 6,5 milhões por ano, dos quais R$ 6 milhões em crédito produtivo e R$ 500 mil em moedas sociais.
O acompanhamento é feito por relatórios enviados pelo Instituto Palmas, com sede em Fortaleza, à autoridade monetária.
O instituto foi criado em 2003 a partir de uma experiência bem sucedida – e pioneira no Brasil - de uma comunidade pobre na periferia da capital cearense, o Conjunto Palmeira, que decidiu substituir o real por uma moeda social, a palmas.
Diferentemente dos cubo cards, as moedas negociadas por essas instituições têm lastro, ou seja, podem ser trocadas por reais a qualquer momento nos bancos comunitários. A reserva de valor é mantida a partir de recursos públicos.
O sistema também segue uma lógica diferente da do coletivo, como explica Joaquim de Melo Neto, coordenador do Instituto Palmas.
"Emprestamos em reais aos comerciantes e aos consumidores em palmas. As pessoas se beneficiam ao receberem descontos dos comerciantes ao usarem a moeda social para fazerem compras", explica.
"Como as palmas só podem ser usadas dentro da comunidade, os donos dos estabelecimentos aumentam suas receitas, gerando mais emprego, o que cria um ciclo virtuoso que favorece o desenvolvimento local", acrescenta.
Embora apresentem maiores garantias, as moedas sociais emitidas por bancos comunitários tampouco estão imunes a riscos.
Muito populares na Argentina durante a década de 90, elas praticamente sumiram do país após a crise econômica de 2001.
"O bom funcionamento desse sistema alternativo depende de muitos fatores. Como não há garantia financeira do BC, regras do jogo têm de ser muito claras. Do contrário, a chance de os envolvidos se frustrarem é grande", conclui Nogueira da Costa.

Fonte: BBC Brasil

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Vendas pela internet passam a ter novas regras

O consumidor brasileiro terá mais direitos a seu favor à partir da próxima quarta-feira (15), com a vigência do Decreto nº 7.962, qual o consumidor passará a ter mais segurança na compra de produtos e serviços pela internet.
Publicado em edição extra do Diário Oficial da União no último dia 15 de março, (comemorando o do Dia Mundial do Consumidor), o decreto define novas regras para o comércio eletrônico.


A Lei, exige informações claras a respeito do produto, serviço e do fornecedor, atendimento facilitado e respeito ao direito de arrependimento da compra. As contratações deverão observar o cumprimento das condições da oferta, com a entrega dos produtos e serviços, observados prazos, quantidade, qualidade e adequação.

Os sites eletrônicos devem disponibilizar, em local de destaque e de fácil visualização, o nome empresarial e número de CNPJ, quando houver, e o endereço físico e eletrônico e demais informações para localização e contato. A exigência pode ajudar a solucionar problemas enfrentados pelos órgãos de defesa do consumidor, que têm dificuldade em localizar responsáveis por sites alvos de reclamação para encaminhar queixas.

Quanto às ofertas, a nova regra exige que o site disponibilize em local de destaque e de fácil visualização as características essenciais do produto ou do serviço, incluídos os riscos à saúde e à segurança dos consumidores e a discriminação, no preço, de quaisquer despesas adicionais ou acessórias, tais como as de entrega ou seguros. Além disso, o decreto prevê que sejam destacadas as condições integrais da oferta, incluídas modalidades de pagamento, disponibilidade, forma e prazo da execução do serviço ou da entrega, e as informações sobre quaisquer restrições à fruição da oferta.

Compras coletivas

Com rigor sobre os famosos sites de compras coletivas, a Lei coloca exigências adicionais para os sites e demais meios eletrônicos nas ofertas relativas a compras coletivas. Além das informações sobre identificação da empresa e clareza na informação sobre características e condições de pagamento de produtos e serviços, eles terão de destacar a quantidade mínima de consumidores para a efetivação do contrato, o prazo para utilização da oferta pelo consumidor, e a identificação não só do fornecedor responsável pelo site eletrônico, mas também do fornecedor do produto ou do serviço ofertado.

Para facilitar e garantir o atendimento, o site deverá apresentar sumário do contrato antes da contratação. O documento deve conter as informações necessárias ao pleno exercício do direito de escolha e enfatizar cláusulas que limitem direitos.

O site deverá conter ainda ferramentas eficazes que permitam ao consumidor identificar erros ocorridos nas etapas anteriores à finalização da compra ou contratação de serviço e sua correção imediata. Terá também de confirmar imediatamente o recebimento da aceitação da oferta e disponibilizar o contrato em meio que permita sua conservação e reprodução.

Para possibilitar ao consumidor a resolução de demandas referentes a informação, dúvida, reclamação, suspensão ou cancelamento do contrato, o site deverá manter serviço de atendimento em meio eletrônico, o qual deve confirmar imediatamente o recebimento das demandas. O site deverá responder sobre as demandas do consumidor no prazo máximo de cinco dias.

Direito de arrependimento

De acordo com o decreto, o fornecedor deverá informar, de forma clara, os meios adequados para o exercício do direito de arrependimento pelo consumidor. O prazo já previsto no CDC de sete dias após a aquisição para arrependimento foi mantido.

O consumidor poderá exercer seu direito de arrependimento pela mesma ferramenta utilizada para a contratação e o exercício do direito de arrependimento implica a rescisão dos contratos acessórios, sem qualquer ônus para o consumidor.

Imediatamente ao exercício do direito de arrependimento pelo consumidor, o site terá de comunicar o fato à instituição financeira ou à administradora do cartão de crédito ou similar, para que a transação não seja lançada na fatura do consumidor ou, ainda, seja estornado o valor. O site deverá enviar ao consumidor a confirmação imediata do recebimento da manifestação de arrependimento.

O desrespeito às regras redundará em punição com as sanções previstas no Código de Defesa do Consumidor, como multa, suspensão temporária de atividade e cassação de licença do estabelecimento ou de atividade.

Fonte: CNEWS

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Entenda por que a inflação preocupa no Brasil

Para especialistas ouvidos pela BBC Brasil, o país vive, atualmente, o "pior dos mundos", com crescimento baixo e inflação em alta.
Para explicar por que a inflação voltou a ser o centro das atenções na agenda econômica brasileira, a BBC Brasil preparou uma lista de perguntas e respostas.


Por que a inflação voltou a preocupar?

A inflação é um velho inimigo da economia brasileira. Depois de anos de hiperinflação, após a adoção do Plano Real, em 1994, a taxa anual caiu de forma significativa.
Em junho daquele ano, quando a nova moeda foi lançada, a taxa mensal foi de 47,43%. No mês seguinte, caiu para 6,84%, posteriormente, em setembro, para 1,53%.
Hoje em dia, o Brasil trabalha com um sistema de metas de inflação anual. O centro da meta para 2013, estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional, é de 4,5% , mas o BC admite, ainda dentro da meta, uma variação de dois pontos percentuais para cima e para baixo.
Nos últimos 12 meses encerrados em março, segundo os dados divulgados pelo IBGE nesta quarta-feira, a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 6,59%, estourando o teto da meta.
Foi a primeira vez que isso ocorreu desde novembro de 2011, quando o aumento em igual período foi de 6,64%.
A alta do índice em março já era prevista por analistas, mas contribuiu para aumentar os temores de que a estratégia adotada pelo governo para combater a inflação esteja sendo ineficiente e as autoridades estejam evitando tomar medidas "mais duras" nesse sentido, como uma eventual subida dos juros.
O aumento também torna mais distante o objetivo de manter a inflação em 2013 mais próxima do centro da meta.
Em 2010, a taxa foi de 6,5% e, no ano passado, de 5,84%.
O BC prevê, no entanto, segundo seu último relatório trimestral, que a inflação deva encerrar este ano em 5,7%.
"A alta da inflação é extremamente prejudicial ao país. O aumento dos preços mina o poder de compra da população, especialmente das classes mais baixas que, com menos dinheiro no bolso, corre mais riscos de ficar endividada e inadimplente", afirma à BBC Brasil Samy Dana, professor de economia da FGV-SP.
"Além disso, cria um cenário de incertezas para o investidor, que, desconfiado dos rumos da economia do país, tende a suspender ou adiar investimentos, prejudicando o crescimento", acrescenta.

O que explica a alta da inflação?

Preço do tomate subiu 151,39% nos últimos 12 meses
Inúmeros fatores explicam a escalada inflacionária no Brasil. De maneira geral, a origem está no desequilíbrio entre a oferta e a demanda.
Segundo o governo, foi o que aconteceu com os alimentos, já considerados os principais vilões para o aumento da inflação.
O tomate, por exemplo, dobrou de preço nos últimos doze meses, com alta de 122,13%. No mesmo período, a farinha de mandioca registrou alta de 151,39%, segundo dados do IBGE.
Existe um consenso de que parte da culpa é das condições climáticas. Nos Estados Unidos, a seca elevou o preços dos grãos, ao passo que, no Brasil, a seca no Nordeste e as chuvas na Região Sul também afetaram o valor cobrado pelos alimentos no mercado doméstico.
Porém, para especialistas, o aumento dos preços também é explicado pelos rumos mais recentes da economia brasileira, bem como problemas estruturais do passado.
"Nos últimos anos, o mercado de trabalho passou por uma melhora importante, e a taxa de desemprego vem caindo. Paralelamente, devido ao déficit de mão de obra, os salários subiram, e esse aumento de renda também contribuiu para acelerar o consumo", explica a economista Alessandra Ribeiro, da consultoria Tendências, especialista em inflação.
"O problema é que, ao passo que a demanda cresceu, a produção vem caindo e o nível de investimento (para ampliar a capacidade produtiva), também. Com mais pessoas consumindo e menos produtos disponíveis, o desequilíbrio é inevitável e se reflete nos preços", acrescenta.
"A pressão por maiores salários também elevou, por sua vez, o repasse de custos", conclui.
Por fim, o Banco Central diminuiu os juros, incentivando a expansão do crédito e, consequentemente, o consumo das famílias.

Como o mercado tem reagido?

Para especialistas, os rumos recentes da economia brasileira vêm criando um cenário de incertezas que afasta o investidor.
"Há um aumento do nível de desconfiança em relação ao Brasil, tanto do ponto de vista macroeconômico quanto microeconômico. De um lado, existe uma sensação de que o BC tem perdido autonomia sobre a condução da política monetária. De outro, há um crescente enfrentamento por parte do governo com o setor privado", afirma Ribeiro.
"Prova disso é que o nível de investimentos no Brasil tem caído na comparação com outros países emergentes. O problema é que, sem novos aportes financeiros, nossa produção fica comprometida, o que trava o crescimento e gera desemprego", acrescenta ela.

O que o governo tem feito?

Governo tem adotado política de desonerações tributárias para conter inflação
A principal aposta do governo para a redução dos preços tem ocorrido por meio de desonerações tributárias.
Recentemente, por exemplo, o governo prorrogou a alíquota reduzida do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre carros até dezembro deste ano.
Além disso, desonerou a cesta básica, a energia elétrica e a folha de pagamento de inúmeros setores, entre outras medidas.
A mais recente foi a decisão de zerar o PIS/Cofins de smartphones de até R$ 1,5 mil fabricados no Brasil.
Por essa lógica, o governo espera que as empresas repassem ao consumidor a redução do custo com os tributos.
A medida, entretanto, é criticada por especialistas.
Para Dana, da FGV-SP, a política é "arbitrária" ao privilegiar determinados setores da economia.
Já para Ribeiro, da Tendências, o efeito das desonerações não passa de um "alívio temporário", porque "o preço, ainda que caia a curto prazo, se desenvolve de acordo com as condições de mercado".
Além de fazer reduções de impostos, a equipe econômica já negociou com os governos estaduais o adiamento dos reajustes em transportes coletivos. Já o Banco Central não descarta um possível aumento dos juros.


Quais medidas deveriam ser tomadas?

Para Dana, da FGV-SP, o governo deveria estimular a concorrência, o que puxaria os preços para baixo.
"As margens de lucro praticadas no Brasil ainda são bem maiores do que as de outros países, como os Estados Unidos, onde o próprio mercado elimina os ineficientes", afirma.
Segundo Ribeiro, da Tendências, já passou da hora de o Banco Central subir a taxa de juros.
"Na minha avaliação, o BC cometeu um erro grave em 2011, quando decidiu reduzir os juros na marra apesar de os primeiros sinais do aumento da inflação. Agora, precisa recuperar o tempo perdido."
Há um consenso, entretanto, de que o governo deveria corrigir os gargalos estruturais da economia brasileira, o chamado "Custo Brasil", o que contribuiria para aliviar a pressão sobre os preços.

Fonte: BBC Brasil

quarta-feira, 27 de março de 2013

Brasileira no Chipre relata como é viver sem acesso a dinheiro

Como a grande maioria da população do Chipre, a brasileira Ana Lima, de 37 anos, foi pega de surpresa pela crise no país e há mais de uma semana tenta se adaptar a viver praticamente sem dinheiro.
Sem acesso às contas bancárias, Ana e a família, que vive há 3 anos em Nicósia, capital do Chipre, têm se limitado a comprar o estritamente necessário para comer.
"Fomos ao supermercado e compramos água, pão e muito macarrão, que é barato", relatou ela à BBC Brasil.
Os bancos no país estão fechados há mais de uma semana, desde que o governo anunciou um acordo com o FMI e o Banco Central Europeu, posteriormente frustrado, para taxar contas bancárias em até 10% em troca de um empréstimo de 10 bilhões de euros (cerca de R$ 26,1 bilhões).
A proposta foi posteriormente rejeitada pelo Parlamento cipriota, aumentando a incerteza no país. Muitos correram para sacar dinheiro de caixas eletrônicos, que logo ficaram sem recursos. A maioria dos bancos vêm impondo um limite de 100 euros para saques.
No domingo, as autoridades do Chipre anunciaram um acordo de última hora para evitar o colapso do sistema bancário do país, com uma possível taxação de até 40% somente para depósitos acima de 100 mil euros (cerca de R$ 261 mil). O segundo maior banco do país, o Laiki, será fechado.
O Chipre é a terceira menor economia da zona do euro, com um PIB de US$ 24,7 bilhões em 2011, segundo o Banco Mundial, para uma população de 1,1 milhão.
O país representa apenas 0,2% do PIB da zona do euro, mas os líderes da região temem que a crise possa afetar outros países europeus, principalmente os que já vinham enfrentando problemas econômicos, como Grécia, Espanha e Itália.



Em frente a banco, Pamela Martins exibe cartaz de protesto com o slogan do movimento Occupy


'Tudo bloqueado'

Ana Lima conta que na sexta-feira dia 15 de março, um dia antes do anúncio do primeiro acordo, seu marido tentou fazer, sem sucesso, uma transferência online de uma conta de poupança para conta corrente. "Pensamos que fosse um problema no site do banco. No dia seguinte, tentamos de novo e nada. Foi quando ficamos sabendo que estava tudo bloqueado", conta.
Praticamente todo o dinheiro do casal, que vivem com os dois filhos, de 7 e 18 anos, estava aplicado em uma conta de poupança. O casal prefere deixar o dinheiro na poupança para aproveitar as taxas de juros atrativas do Chipre. À medida que precisam, transferem o dinheiro para a conta corrente.
''O problema é que, desde o dia 15, todas as transferências estão bloqueadas e os bancos, fechados. Quem tem dinheiro na conta corrente, pode sacar nos caixas eletrônicos, mas a gente não tem. Quando isso aconteceu, o meu marido tinha só 70 euros na conta (cerca de R$ 182). Tem uma semana que não conseguimos sacar nada'', lamenta.
Outro problema, segundo ela, é que os comerciantes já não estão mais aceitando pagamentos com cartão de crédito e preferem dinheiro vivo. O próximo passo da família será recorrer ao dinheiro que a filha de 7 anos ganhou de aniversário e que estava guardando num cofrinho pra comprar um laptop.
''Vamos pegar, mas não diremos nada a ela. Depois, devolvemos", diz.
Com os bancos fechados por tanto tempo, ninguém sabe o que vai acontecer quando as agências reabrirem. Muita gente deve fazer como Ana, que promete tirar todo o dinheiro do banco na terça-feira e guardar em casa, no armário. ''Vai ser uma loucura'', comenta.

Situação instável

Em frente a banco, Pamela Martins exibe cartaz de protesto com o slogan do movimento Occupy
Outros brasileiros que moram no Chipre dizem viver momentos de tensão e estão atônitos diante da crise, que ameaça implodir todo o sistema bancário do país.
Pamela Martins, de 30 anos, que vive há 12 anos no Chipre, diz já pensar em deixar o país e regressar ao Brasil. Desde 2001, ela vive com o filho de 8 anos em Nicósia. Ela conta ter adotado o Chipre como seu segundo país.
Filha de mãe grega e pai brasileiro, Pamela foi ao Chipre pela primeira vez quando tinha 4 anos de idade. Ela concluiu seus estudos em Nicósia, onde cursou faculdade de Psicologia.
''A situação está muito instável. Eu penso em voltar para o Brasil, e muitos cipriotas também estão pensando em deixar o país'', afirma.
Pamela, que participou de um protesto realizado no final de semana em frente ao Parlamento cipriota, diz temer pelo futuro do país, que ela afirma ter conhecido em seus tempos "áureos".
"O país está se segurando por um fio. Eu conheci o Chipre numa época diferente. Há 5 anos, a taxa de desemprego no país era de 2%. Temo pelo futuro do meu filho, das novas gerações", diz.


'Filas enormes'

Com os bancos fechados e as operações bloqueadas, quem quiser tirar dinheiro tem que ir diretamente aos caixas eletrônicos. ''Mas as filas estão enormes. E muitos caixas não têm mais dinheiro ou estão fora do ar'', explica.
A brasileira teve que pedir dinheiro emprestado para arcar com as despesas básicas até que a situação melhore. Ela também foi pega de surpresa pelo anúncio do acordo que previa a taxação de todos os depósitos bancários. Tinha somente 80 euros em sua conta, que já gastou comprando comida.
Como tantos outros, Pamela promete correr ao banco assim que as agências abrirem na próxima terça-feira para retirar todo o dinheiro. Ela teme, entretanto, que os bancos imponham limites de saques para evitar a fuga de capitais em massa.
"Quero o melhor pra este país, mas a gente não pode mais confiar no sistema bancário", afirma.
Para Pamela, mesmo se o governo cipriota decidir não tributar os depósitos, o estrago já foi feito. ''Os investidores vão retirar o dinheiro dos bancos, pois a situação está muito instável'', considera.

Fonte: BBC Brasil

OIT aponta ganho de produtividade com trabalho em casa

Trabalhar de casa, em vez de ter que ir ao escritório, pode não servir para todos os empregados ou empresas, mas pesquisas indicam que o trabalho remoto pode aumentar a produtividade e oferecer vantagens para os empregados, diz um artigo publicado nesta segunda-feira pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).
O argumento dos autores do artigo, Jon Messenger, pesquisador-sênior da OIT, e Laura Addati, especialista da entidade sobre relações de trabalho e família, é de que a prática do chamado “teletrabalho” traz economias para empresas e melhora a satisfação dos empregados (ao permitir-lhes mais flexibilidade para cuidar da família e reduzir o tempo e dinheiro gastos em transporte).
As conclusões do artigo – que segundo a OIT apresentam “fortes razões” para que as empresas ofereçam a possibilidade aos funcionários – se baseiam em uma compilação de cerca de 500 estudos sobre teletrabalho nos EUA feita pela consultoria Global Workplace Analytics.
Alguns desses estudos, dizem a consultoria, apontam que até dois terços dos entrevistados gostariam de trabalhar em casa; um terço inclusive escolheria o benefício em vez de um aumento salarial.
Entre os empregadores, os levantamentos indicam que o trabalho em casa ajudou a aumentar a retenção de funcionários e a reduzir despesas com faltas, demissões e contratações, bem como o tempo perdido com reuniões presenciais ineficientes.
Na empresa americana de telecomunicações AT&T, funcionários que ficam em casa chegam a trabalhar cinco horas a mais do que seus pares, dizem os estudos. Nas companhias Best Buy, British Telecom e Dow, trabalhadores remotos são entre 35% e 40% mais produtivos.



Caso Yahoo!

O debate sobre flexibilidade no trabalho ganhou combustível em fevereiro, quando a executiva-chefe do Yahoo!, Marissa Mayer, vetou que seus funcionários continuassem trabalhando de casa, alegando que a prática prejudicava a comunicação e a colaboração entre os funcionários.
De um lado, defensores do teletrabalho dizem que a medida pode ajudar uma empresa em situação complicada e "precisando de novas ideias", como definiu a revista Businessweek. De outro, críticos dizem que o veto de Mayer é um retrocesso para pessoas que precisam de flexibilidade ou gastam muito tempo para ir e voltar do trabalho - e que veem o teletrabalho como uma conquista.
Ao mesmo tempo, há quem diga que a questão vai além: no Vale do Silício, onde ficam as sedes das principais empresas de tecnologia dos EUA, é comum que executivos trabalhem em casa, mas além de - e não em vez de - trabalharem turnos longos no escritório.
No Brasil, o trabalho remoto aumentou, mas ainda está em "maturação", diz uma pesquisa divulgada em novembro passado pela consultoria em RH Robert Half. Nela, 64% das empresas pesquisadas declaram permitir algum tipo de trabalho remoto, ainda que esporadicamente e apenas para alguns cargos.
Mas só 52% das empresas têm de fato políticas e orientações para gerir o teletrabalho. E 92% dos diretores de RH entrevistados acham mais desafiador coordenar uma equipe remotamente do que presencialmente.

Desafios

Essa e outras preocupações não são exclusivas do Brasil, sugere o artigo da OIT.
"Apesar de haver uma tendência de (favorecer o) trabalho em casa, e de a maioria dos gerentes dizer que confia em seus funcionários, um terço da gerência diz preferir ver suas equipes, para ter certeza de que elas estão trabalhando", aponta o texto.
Do lado dos funcionários, há também o temor de, ao ficar em casa, isolar-se dos colegas de trabalho e prejudicar o avanço de sua carreira.
Por fim, muitos questionam: no caso de pais com filhos pequenos que queiram passar mais tempo com a família, dá mesmo para trabalhar em casa e cuidar de crianças simultaneamente?
Nesse caso, dizem Messenger e Addati, teletrabalhadores precisam ter um espaço em casa definido para o escritório e saber que "o trabalho à distância não é um substituto para creches ou cuidadores, ainda que ajude os pais a lidar com suas responsabilidades familiares".
Quanto ao temor de isolamento, a tecnologia é a solução, opina o artigo. "Com a lista de inovações disponíveis - videoconferências, mensagens instantâneas, e-mail e o bom e velho telefone -, combinadas com eventuais encontros cara a cara e instrumentos de monitoramento de performance, as vantagens do teletrabalho são fortes."
Essa defesa é reforçada por indícios que dizem que o teletrabalho favorece também funcionários deficientes, aposentados que queiram continuar trabalhando porém com menos estresse e empregados que, em vez de faltar para resolver problemas familiares, podem lidar com esses problemas sem perder um dia de trabalho.

Fonte: BBC Brasil

quarta-feira, 13 de março de 2013

Pobreza recua no Brasil, mas fim da miséria é questionável

Apesar de expressivos avanços no combate à extrema pobreza, erradicar a miséria do Brasil e transformá-lo num país de classe média será mais complexo e demorado do que o discurso do governo sugere, segundo especialistas ouvidos pela BBC Brasil.


Há duas semanas, à frente de uma placa com o slogan "O fim da miséria é só um começo" – provável lema de sua campanha à reeleição –, a presidente Dilma Rousseff anunciou a ampliação das transferências de renda às famílias mais pobres que constam do Cadastro Único do governo.
Com a mudança, os mais pobres receberão repasse complementar para que a renda per capita de suas famílias alcance ao menos R$ 70 ao mês – patamar abaixo do qual são consideradas extremamente pobres pelo governo. A alteração, diz o governo, permitirá que 2,5 milhões de brasileiros se somem a 22 milhões de beneficiários do Bolsa Família que ultrapassaram a linha da pobreza extrema nos últimos dois anos.
Para que o programa seja de fato universalizado, porém, o governo estima que falte registrar 2,2 milhões de brasileiros miseráveis ainda à margem das políticas de transferência de renda, o que pretende realizar até 2014.
Especialistas em políticas antipobreza ouvidos pela BBC Brasil aprovaram a expansão do programa, mas fazem ressalvas quanto à promessa do governo de erradicar a miséria.
Para Otaviano Canuto, vice-presidente da Rede de Redução da Pobreza e Gerenciamento Econômico do Banco Mundial, o Bolsa Família – carro-chefe dos programas de transferência de renda do governo – é bastante eficiente e tem um custo relativamente baixo (0,5% do PIB nacional).
Canuto diz que o plano e outros programas de transferência de renda ajudam a explicar a melhora nos índices de pobreza e desigualdade no Brasil na última década, ainda que, somados, tenham tido peso menor do que a universalização da educação – "processo que vem de antes do governo Lula" – e a evolução do mercado de trabalho, com baixo desemprego e salários reais crescentes.
Apesar do progresso, estudiosos dizem que, mesmo que o Cadastro Único passe a cobrir todos os brasileiros que hoje vivem na pobreza, sempre haverá novas famílias que se tornarão miseráveis.
Há, ainda, questionamentos sobre o critério do governo para definir a pobreza extrema – renda familiar per capita inferior a R$ 70, baseado em conceito do Banco Mundial que define como miserável quem vive com menos de US$ 1,25 por dia.
Adotado em junho de 2011 pelo governo, quando foi lançado o plano Brasil Sem Miséria (guarda-chuva das políticas federais voltadas aos mais pobres), o valor jamais foi reajustado. Se tivesse acompanhado a inflação, hoje valeria R$ 76,58.
Em onze das 18 capitais monitoradas pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), R$ 70 não garantem sequer a compra da parte de uma cesta básica destinada a uma pessoa. Em São Paulo, seriam necessários R$ 95,41 para a aquisição.
Em 2009, o então economista-chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas, Marcelo Neri, defendeu em artigo que a linha de miséria no país fosse de R$ 144 por pessoa. Essa linha, segundo o autor, que hoje preside o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, órgão ligado à Presidência), atende necessidades alimentares mínimas fixadas pela Organização Mundial da Saúde.
O economista Francisco Ferreira, também do Banco Mundial, considera positivo que o Brasil tenha definido uma linha de pobreza, mas afirma que o valor deveria ser ajustado ao menos de acordo com a inflação e que está "muito baixo" para o país.
Segundo Ferreira, o Banco Mundial estabeleceu a linha de miséria em US$ 1,25 ao dia para uniformizar seus estudos, mas cada país deveria definir próprios critérios. "Não me parece adequado que o Brasil adote a mesma linha aplicável a um país como o Haiti, por exemplo."
Tiago Falcão, secretário de Superação da Pobreza Extrema do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), reconhece que mesmo que o Bolsa Família chegue a todos os brasileiros pobres sempre haverá novas famílias que cairão abaixo da linha da miséria.
"Buscamos a superação da miséria do ponto de vista estrutural, para que não existam brasileiros que não sejam atendidos por nenhuma política pública. E estamos tentando encurtar o prazo de resgate dos extremamente pobres."
Falcão diz que a linha de R$ 70 responde a compromisso internacional do governo assumido com as Metas de Desenvolvimento do Milênio (MDM), que previam a redução à metade da pobreza extrema no país até 2015. Tendo como referência a linha do Banco Mundial, diz Falcão, o governo se "propôs um desafio muito mais complexo, que é a superação da extrema pobreza".
"Era uma meta ambiciosa para o Brasil e, por outro lado, factível. Hoje consideramos que acertamos ao definir a linha de R$ 70".
O secretário diz, no entanto, que se trata de um piso de "carências básicas" que, uma vez definido, poderá ser aumentado levando em conta as disparidades regionais e o quão solidária a sociedade quer ser com os mais pobres.
Para Alexandre Barbosa, professor de história econômica do Instituto de Estudos Brasileiros da USP, o governo deveria levar em conta outros critérios além da renda em sua definição de miséria. Em 2011, Barbosa coordenou um estudo do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) intitulado "O Brasil Real: a desigualdade para além dos indicadores".
O estudo, que contou com apoio da ONG britânica Christian Aid, afirma que as políticas de transferência de renda melhoraram a vida dos mais pobres, mas não alteraram a estrutura social brasileira. Barbosa é especialmente crítico à ideia de que, com a redução na pobreza, o Brasil está se tornando um país de classe média, tese defendida pela presidente.
"Considerar classe média alguém que recebe entre um e dois salários mínimos, que mora em zona urbana sem acesso a bens culturais nem moradia decente, que leva três horas para se deslocar ao trabalho? Essa é a classe trabalhadora que está sendo redefinida."
Para o professor, a transferência de renda deveria integrar um conjunto mais amplo de ações do governo com foco na redução da desigualdade. Entre as políticas que defende estão reduzir os impostos indiretos sobre os mais pobres, fortalecer cooperativas e agregar valor à produção industrial, para que os salários acompanhem os ganhos em eficiência.
Falcão, do MDS, diz que o governo já tem atacado a pobreza por vários ângulos. Segundo ele, o Cadastro Único – "uma inovação em termos de política social ainda pouco compreendida no Brasil" – revolucionou a formulação de políticas públicas para os mais pobres.
O cadastro hoje inclui 23 milhões de famílias (ou cerca de 100 milhões de pessoas, quase metade da população) e é atualizado a cada dois anos com informações sobre sua situação socioeconômica.
Segundo o secretário, o cadastro tem orientado programas federais de expansão do ensino integral, fortalecimento da agricultura familiar e qualificação profissional, que passaram a atender prioritariamente beneficiários do Bolsa Família.
Para Canuto, vice-presidente do Banco Mundial, manter o Brasil numa trajetória de melhoria dos indicadores sociais não dependerá apenas de políticas voltadas aos mais pobres. Ele diz que o "modelo ultraexitoso" que permitiu a redução da pobreza na última década, baseado no aumento do consumo doméstico e da massa salarial, está próximo do limite.
De agora em diante, afirma Canuto, os avanços terão que se amparar em maiores níveis de investimentos, que reduzam o custo de produzir no Brasil.
"É preciso pensar no que é necessário para que, daqui a uma geração, os benefícios de transferência condicionada de renda não sejam mais necessários. Para isso, o foco tem que ser em boa educação, acesso à saúde, emprego de qualidade, melhoria da infraestrutura e espaço para o desenvolvimento do talento empresarial."

Fonte: BBC Brasil

quarta-feira, 6 de março de 2013

Site permite doar dinheiro à cultura e abater do IR

Os contribuintes que têm imposto a pagar, podem doar o valor a projetos com incentivos fiscais e abater a doação do imposto de renda devido em vez de pagá-lo ao governo. Um site recém-lançado, o Partio, acaba de tornar ainda mais simples as doações e posteriores deduções do imposto de renda. Além de mostrar exatamente quais são os projetos incentivados dentro da área de cultura, o site permite realizar toda a transação dentro do seu próprio ambiente, além de simular qual é o imposto devido pelo contribuinte e mostrar qual parcela desse imposto pode ser doada havendo a possibilidade de abatimento.



O Partio funciona dentro do modelo de financiamento coletivo, o chamado crowdfunding, no qual diversos projetos ficam na vitrine do site abertos ao recebimento de colaborações. Só entram no site projetos aprovados pelo Ministério da Cultura (MinC) e enquadrados na Lei de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet) e os projetos enquadrados na Lei de Incentivo à Atividade Audiovisual, aprovados pelo MinC ou pela Agência Nacional de Cinema (Ancine), que são os tipos de projeto que garantem o benefício fiscal.

Além dos projetos incentivados no âmbito cultural, que são o foco do Partio, existem outras possibilidades de doações com incentivo fiscal. São as doações feitas aos fundos administrados por órgãos públicos que se enquadram no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), aos fundos municipais, estaduais, distrital e nacional do idoso; aos projetos aprovados pelo Ministério do Esporte e enquadrados na Lei de Incentivo ao Esporte; e aos projetos aprovados pelo Ministério da Saúde no âmbito do Programa Nacional de Apoio à Atenção da Saúde da Pessoa com Deficiência (Pronas) ou do Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon).

Como existem milhares de entidades beneficentes e não existe nenhum site do governo que congregue todos os projetos que dão ao contribuinte o benefício fiscal, o Partio pode ajudar bastante quem deseja fazer uma doação com a possibilidade de abatê-la do imposto de renda, uma vez que no site não entram projetos que não possuem incentivo fiscal.

Existem outros sites que selecionam projetos incentivados, como o Quero Incentivar, mas além de não permitir que a doação seja feita dentro do site, eles não possuem apenas projetos com benefícios aplicáveis ao imposto de renda, mas também outros projetos que oferecem benefícios fiscais para outros tipos de tributação, válidos apenas para empresas. Ou seja, não são tão focados nas doações de pessoas físicas dedutíveis do imposto de renda.

Além de relacionar apenas os projetos incentivados, o Partio utiliza mais alguns critérios para escolher o que entra ou não no site. “Nossos produtores observam quais projetos têm mais chances de viabilização. São projetos que já tiveram outras iniciativas bem-sucedidas antes”, explica a sócia-diretora do Partio, Natalie Assad.

E para passar pelo filtro do site, os projetos precisam ainda ter 20% do valor total que pretendem captar já garantidos. Para isso, o Partio busca doações de empresas para chegar à cota de 20% das doações e só depois os projetos passam a ser expostos no site.

Para se sustentar, o Partio recebe 10% do total de doações captadas. Essa parcela deve ser paga às agências que promovem a arrecadação de incentivos segundo disposição prevista por lei do Ministério da Cultura.

Como doar pelo Partio

Em primeiro lugar, é preciso escolher os projetos que receberão as doações. No próprio site há uma breve descrição sobre eles e o número de inscrição do projeto no Ministério da Cultura. Com este número é possível consultar a situação oficial do projeto e outras informações por meio de uma ferramenta de busca do site do MinC.

Escolhido o(s) projeto(s), na página inicial do site clique em “Quero reverter meu imposto em cultura” > “sou pessoa física”. Em seguida, escolha “simular quanto eu posso reverter” ou “sei quanto posso reverter”. Sabendo o valor da doação, o próximo passo é inserir o valor e clicar em “seguir”. Ao aparecer a lista de projetos, é preciso selecioná-los e informar qual valor será destinado a cada um dos selecionados ou a um único projeto. Por fim, basta preencher algumas informações cadastrais e efetuar o pagamento por meio de débito automático ou pela emissão de um boleto.

Assim que o pagamento for identificado, o doador recebe um recibo de mecenato. Neste comprovante estarão detalhadas todas as informações que deverão ser declaradas no imposto de renda referentes à doação. O recibo deve ser guardado por cinco anos, período dentro do qual o fisco pode convocar o contribuinte a prestar esclarecimentos sobre informações declaradas.

Segundo a sócia do Partio, por enquanto esse recibo é enviado pelos correios, mas o site pretende viabilizar o envio via e-mail em breve.

Deduções

É muito importante ressaltar que as deduções de doações só valem para quem utiliza o modelo de declaração completa do imposto de renda, já que pela declaração simplificada há um percentual de desconto fixo sobre a renda tributável de 20% que substitui todo tipo de dedução.

O limite de dedução para doações é de até 1% para o Pronas, 1% para o Pronon e até 6% para todos os outros projetos incentivados. Ou seja, somando todos os tipos de doações, o valor não pode ultrapassar 8% do imposto devido.

Infelizmente, apenas parte das doações podem ser feitas neste ano e deduzidas na declaração deste ano também. São as doações aos fundos do ECA. Os outros tipos de doação deveriam ter sido feitas em 2012 para que pudessem ser declaradas no imposto de renda deste ano, ou devem ser feitas este ano para serem deduzidas do imposto de renda do ano que vem. Isso significa que as doações feitas neste ano a projetos incluídos no Partio, que são aqueles projetos incentivados ligados à cultura, só poderão ser abatidas do IR do ano que vem.

Fonte: Revista Exame

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Foco de pesquisa no Brasil 'ameaça crescimento'

A ausência de grandes avanços no Brasil em pesquisas em áreas como química, física, engenharia e geociências pode ser "um fator limitante no desenvolvimento econômico" do país, segundo um relatório da atividade de análise da Thomson Reuters.


O documento, assinado pelos pesquisadores Jonathan Adams, David Pendlebury e Bob Stembridge, analisou diversos indicadores ligados a pesquisa e inovação no Brasil, Rússia, Índia, China e Coreia do Sul - conjunto de países ao qual se refere pelo acrônimo "BRICKS".


Sua conclusão é que os países emergentes estariam conseguindo reduzir o abismo que os separa do mundo rico na área de inovação, mas haveria grandes diferenças entre eles - e segundo dados levantado pelo relatório, o Brasil estaria ficando para trás em vários indicadores.
Em número de pesquisadores e total de patentes, por exemplo, o país seria o último colocado. A parcela dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento feitas pelo setor privativo também seria "anomalamente baixa" no Brasil, segundo a Thomson Reuters.
O maior destaque, porém, é dado ao fato de que o Brasil seria "obviamente diferente dos outros BRICKs" no que diz respeito a seu portfólio de pesquisas.
"Para Rússia, Índia, China e Coreia do Sul as áreas em foco são física, química, engenharia e estudos sobre os materiais", nota o relatório. Já no Brasil haveria mais avanços e esforços no que é definido como "economia do conhecimento da natureza" que inclui áreas como "ciências agrícolas", "estudo de plantas e animais" e "farmacologia e toxicologia".
"Para o Brasil seria possível dizer que a ausência de (pesquisas sobre) tecnologias e ciências físicas na lista de áreas prioritárias pode ser tornar um fator limitante para o desenvolvimento econômico", defende o documento.
A conclusão é tomada a partir do levantamento, em cada um desses países emergentes, das dez áreas de pesquisa responsáveis por uma maior parcela do total mundial de publicações em seu campo do conhecimento.
No caso do Brasil, além das três áreas mencionadas acima, a lista também inclui "microbiologia", "ecologia", "ciências sociais", "medicina clínica", "biologia e bioquímica", "neurociências" e "imunologia".
Para uma comparação, as áreas de maior contribuição da China incluiriam "estudos dos materiais", "ciências da computação", "engenharia", "matemática", "geociências", "física" e "química".
O país asiático também estaria avançando mais rápido que os outro cinco emergentes em quase todos os indicadores de inovação e pesquisa analisados pela Thomson Reuters.
"Os dados não só confirmam e quantificam o novo status de países que não estão no G7 (na área de pesquisa e inovação), mas também revelam complexidades individuais que estão por trás do rótulo de 'emergente'", diz.

Fonte: BBC Brasil